Alexander Serradilha

E-commerce

ROAS 11x com prejuízo em cada pedido: a matemática que a plataforma não mostra

Uma conta reportava ROAS de 11x e perdia dinheiro em cada venda. A conta completa, passo a passo, e o que separar antes de julgar performance.

O que você vai aprender aqui

  • A plataforma mede receita bruta, não contribuição — imposto, devolução, CPV e frete ficam de fora.
  • ROAS agregado esconde a campanha de marca e infla a média.
  • Não existe meta de ROAS de mercado: existe ROAS de equilíbrio, que é 1 dividido pela sua margem.

O Search Engine Land publicou o caso de uma conta de e-commerce que reportava ROAS de 11x e perdia dinheiro em cada pedido. Vale reproduzir a conta inteira, porque é ela que faz o argumento.

A conta, linha por linha

O exemplo do artigo parte de um pedido de £100 (valores originais em libras):

EtapaValor
Valor de conversão reportado pela plataforma£100,00
Após 28% de devoluções£72,00
Após retirar o imposto sobre venda (VAT)£60,00
Após 63% de custo do produto£22,20
Após fulfillment e taxas£8,70
Após o custo de mídia (ROAS 11x = £9,09)–£0,39

Prejuízo de 39 pence por pedido, com um painel mostrando 11x.

Onde a conta se perde

Primeiro: a plataforma mede receita bruta, não contribuição. O valor de conversão que sobe para o Meta ou para o Google é o valor do pedido — com imposto, antes de devolução, sem custo de produto e sem frete. Nenhuma dessas quatro coisas é detalhe: no exemplo, elas comem 91% do valor antes de a mídia entrar.

Segundo: o ROAS agregado esconde a campanha de marca. No caso, as campanhas de marca rodavam a cerca de 18x e absorviam a maior parte do orçamento, puxando a média para cima. O argumento do autor: quem digita o nome da sua marca no Google, em geral, já decidiu comprar de você. Essa venda em boa medida aconteceria de qualquer forma — o anúncio de marca cobra por ela e a credita para si.

Vale registrar que essa segunda parte é interpretação do autor, não medição. A forma de sair do achismo é um teste de incrementalidade: desligar marca em uma janela controlada e medir a receita total, não a do painel.

O que dá para aplicar amanhã

  1. Suba valor de conversão em contribuição líquida, não em receita. Se integrar custo de produto por SKU for inviável agora, uma margem média por categoria já corrige a maior parte da distorção.
  2. Separe marca de não-marca antes de olhar qualquer número. Enquanto as duas estiverem no mesmo relatório, o ROAS não informa nada sobre aquisição.
  3. Um objetivo por SKU. Lucro, volume ou recuperação de caixa. SKU com três objetivos não tem nenhum, e a campanha herda a confusão.
  4. Trate devolução como linha de custo de mídia. Categoria com 28% de devolução e categoria com 4% não podem ter a mesma meta de ROAS.

O número que substitui o ROAS

Não existe meta de ROAS universal — existe ROAS de equilíbrio, e ele é próprio de cada loja:

ROAS de equilíbrio = 1 ÷ margem de contribuição

Margem de contribuição de 20% significa ROAS de equilíbrio de 5x. Abaixo disso, cada venda tira dinheiro do caixa, e quanto mais a campanha escala, mais rápido ela drena. Acima, sobra. É esse número — e não um benchmark de mercado — que define se a campanha vai bem.

A equação por trás disso é a mesma do artigo Matemática do E-commerce, agora do lado do custo. Se você não sabe qual é o seu, o problema não é a campanha — e é onde a gestão de performance começa.

Fonte: Search Engine Land — The 11x ROAS account that lost money on every order.

Se você não sabe qual é o seu ROAS de equilíbrio, o problema não é a campanha.