Alexander Serradilha
75% das lojas têm UX mobile medíocre — e o tráfego pago paga a conta
O Baymard avaliou mais de 150 lojas no mobile em 2026: 75% ficaram em medíocre e nenhuma tirou nota máxima. Os 10 pontos que mais derrubam conversão.
O que você vai aprender aqui
- Mobile é cerca de três quartos do tráfego de varejo — e é onde a média do mercado falha.
- Os 10 pontos medidos pelo Baymard são ajuste de interface, não redesign.
- Antes de aumentar orçamento, faça a checagem de dez perguntas na própria loja.
O Baymard Institute publicou em julho o benchmark de UX mobile de 2026. A amostra: mais de 150 lojas avaliadas manualmente, mais de 71 mil elementos de interface pontuados um a um. O resultado é o tipo de número que muda a ordem das prioridades de um e-commerce.
75% das lojas ficaram na faixa "medíocre". Somando com a faixa seguinte, 95% das lojas estão entre "medíocre" e "razoável". Uma única loja da amostra inteira tirou "boa". Nenhuma tirou nota máxima.
Isso importa porque o mobile é, segundo o mesmo estudo, cerca de três quartos do tráfego de varejo. A conta é direta: a maior parte do investimento em mídia de um e-commerce brasileiro entra por uma interface que, na média do mercado, está mal resolvida.
O erro de leitura mais comum
Quando a conversão cai, a primeira reação é mexer no anúncio. Trocar o criativo, mexer no público, aumentar o orçamento. É a mudança mais barata de fazer e a mais fácil de medir.
Mas o anúncio entrega a sessão. Quem converte a sessão é a loja. Se o problema está na navegação, no filtro ou no checkout, mais orçamento só compra mais sessões para o mesmo funil furado — e o CAC sobe sem que nada no anúncio tenha piorado.
Os 10 pontos que o Baymard mediu
O estudo lista as boas práticas e o percentual de lojas que não as aplica:
| Prática | Lojas que não aplicam |
|---|---|
| Mensagens de erro adaptativas (que dizem o que corrigir) | 93% |
| Destacar em que ponto do catálogo o usuário está | 94% |
| Mostrar todas as variações de cor no item da listagem | 73% |
| Exibir os filtros aplicados em uma visão geral | 66% |
| Navegar entre avaliações pelas fotos dos clientes | 57% |
| Validador ou busca automática de endereço | 54% |
| Agrupar variações do mesmo produto em um item de lista | 42% |
| Opção "ver tudo" em cada nível do catálogo | 42% |
| Autocomplete que corrige termo digitado errado | 28% |
| Botão de enviar ao lado do campo de busca | 27% |
Repare no padrão: quase nada disso é redesign. São ajustes de comportamento de interface — a maioria resolvida em tema, sem tocar em backend.
Por onde começar
Três dos itens acima concentram o impacto e são os mais rápidos de implementar:
- Mensagem de erro adaptativa no checkout. 93% das lojas erram aqui. Um "dados inválidos" genérico em campo de cartão ou CEP é abandono garantido no celular, onde o usuário não consegue comparar campos na tela.
- Validador de endereço. 54% não têm. No Brasil, com busca por CEP, é ainda mais barato de resolver — e corta erro de entrega, que vira custo de SAC e de reenvio.
- Filtros aplicados visíveis. 66% não mostram. Em catálogo grande, o usuário que não sabe o que está filtrando volta para o início ou sai.
O que fazer com isso
Antes da próxima rodada de aumento de orçamento, abra a própria loja no celular e percorra os dez itens da tabela. Cada um é uma pergunta de sim ou não. O resultado dessa checagem costuma explicar mais da conversão do que o relatório de campanha.
É exatamente esse cruzamento — o que a mídia entrega contra o que a loja converte — que a WIG faz no diagnóstico.
“O anúncio entrega a sessão. Quem converte a sessão é a loja.”



